sábado, 26 de dezembro de 2009

Estar Contigo...


Estar contigo
é não ver o tempo passar,
não sentir o mundo girar,
é viver o amor e a paz,
o carinho e a paixão,
é sentir a emoção
em cada gesto, cada olhar,
é ser capaz de não lembrar
que o mundo não somos nós,
que a vida está além de nós...
Estar contigo
é ter a exata noção
que acabamos de nascer,
que não esperamos
por nada, por ninguém,
que tudo esperou por nós,
que sempre fomos nós,
sempre seremos nós,
sem começo, sem fim...

Suely Ribella

A Distância Entre Nós


Não sei como explicar
o que sinto neste momento,
um forte desejo de amar
invade meu pensamento.

Porém,como amar,se não lhe tenho?
Por que tão longe,se lhe sinto tão perto?
Hei de sofrer por esta paixão que contenho,
que me pune por querer um amor incerto.

Ah,por que milhas me separam de ti?
Se tudo pode o amor,
pode o vento trazer-te para mim,
antes que o céu mude de cor?

São tantas as perguntas que possuo,
tantos desejos contidos...
Talvez chegue a ti um sussurro,
ou antes a sensação de um sorriso,
com forma simples de expressar,
tudo aquilo que entendo por 'amar'.

Doriana Albuquerque

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Inconfessáveis olhares


Tantos desejos nesses olhares.
Tão inconfessáveis juras
ditas no silêncio que nos envolve.
Você e eu, tão estranhos
e tão indisponíveis um para o outro
e ainda somos amantes ardorosos
nos nossos momentos únicos.

Derrapo nas palavras
você se perde nos verbos
quando o silêncio maculamos
com falas que nada preenchem.

Voltamos aos olhares íntimos,
profundos no aconchego inaudível
que conservamos em cumplicidade.
Você me convida e eu aceito
o banho de olhares como longos beijos.

Angélica T. Almstadter

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sossega Coração



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme.
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Você Não Me Ensinou A Te Esquecer

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto de olhar em seus olhos
Ganhar seus abraços, é verdade eu não minto
E nesse desespero em que eu me vejo
Já cheguei a tal ponto de me trocar diversas vezes por você
Só prá ver se te encontro
Você bem que podia perdoar e só mais uma vez me aceitar
Prometo agora eu vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora que faço eu da vida sem você ?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar


Vou me perdendo buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo que você se retirou e me atirou
E me deixou aqui sozinho


Agora que faço eu da vida sem você ?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar


E nesse desespero em que eu me vejo,
Já cheguei a tal ponto de me trocar
Diversas vezes por você só prá ver se te encontro
Você bem que podia perdoar e só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou eu fazer por onde nunca mais perdê-la


Agora que faço eu da vida sem você ?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar


Vou me perdendo buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo que você se retirou e me atirou
E me deixou aqui sozinho


Agora que faço eu da vida sem você ?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer

Fernando Mendes

Nunca Ninguém Sabe



Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar.


Por isso o meu verso tem esse quase imperceptível tremor...

A vida é louca, o mundo é triste:

Vale a pena matar-se por isso?

Nem por ninguém!

Só se deve morrer de puro amor...

Mário Quintana



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um dia Descobrimos


...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Canção do Amor Imprevisto



Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mário Quintana

domingo, 15 de novembro de 2009

Sem Você


Hoje estou aqui sem você, sem seus carinhos
Tão triste sem esperança na vida
Simplesmente sozinho

Sei que não faço mais parte de seu mundo
Que não significo mais nada, simplesmente nada...
Mas meus pensamentos voam sempre a você a todo segundo

O tempo ta passando e eu não consigo encontrar a saída
É como se estivesse preso a um labirinto
Depois que você saiu da minha vida

O meu desejo quer você agora
Aqui pertinho de mim
Venha correndo, vem de pressa, sem demora...

Pois quando você voltar toda essa tristeza terá fim
O sol terá mais brilho
Depois que você voltar pra mim

Jonas Melo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Exaltação do Amor


Sofro, bem sei... Mas se preciso for
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrela alcançar... colher a flor...

Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor... com o meu Amor!

Nada me impedirá que seja meu
se é fogo que em meu peito se acendeu
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...

Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor!

Se esse amor não puder ser meu viver
há de ser meu para eu morrer de Amor!


J.G. de Araújo Jorge

sábado, 7 de novembro de 2009

É ela! É ela! É ela! É ela!



É ela! É ela! - murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou - é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura -
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas-furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
Como dormia! Que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
Um bilhete que estava ali metido...
Oh! de certo... (pensei) é doce página
Onde a alma derramou gentis amores;
São versos dela... que amanhã de certo
Ela me enviará cheios de flores...
Tremi de febre!
Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
Eu beijei-a a tremer de devaneio...
É ela! É ela! - repeti tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! Meu Deus! Era um rol de roupa suja!
Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas
Se achou-a assim mais bela - eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camizinhas!
É ela! É ela! meu amor, minh'alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela...
É ela! É ela! - murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou - é ela!


Álvares de Azevedo

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Desatinos

Dizes que sou uma estrela,
Que ando distante!
Sim! Eu sei que sou!
Mas, como a luz das estrelas,
Minha luz chega até você...
Talvez ela não te aqueça o corpo
Mas, certamente, te ilumina o caminho!
Tem coisas de mim que desconheces...
Dizem que não sou de confiança,
Não me importo com isto!
Eu apenas sou calado
E o meu silêncio pode ser
interpretado de várias formas...
Não me importo com o que dizem
ou pensam de mim.
Eu apenas sou o que sou!
Não preciso provar nada a ninguém!
Se quiseres me amar, ama
Mas me ame como sou...
Não me queiras ter como desejas
que eu seja,
assim eu não estarei livre...
e, preso, serei como um pássaro cativo,
esquecerei meu canto,
Deixarei de ser eu e não serei ninguém...
Se me amas, como dizes,
Me aceita como sou...
Não sou igual a ninguém,
Nem melhor, nem pior...
Apenas sou eu, nada mais!
E te amo!
Te amo do meu jeito,
Porque é impossível não te amar,
Porque aceito você do jeito que és,
Não importam teus medos,
Eles também são meus..
O que realmente importa é o amor
que nos une.
Somente isto faz sentido,
Nada mais.


Eduardo Baqueiro



Amor, que o gesto humano na alma escreve



Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

Luís de Camões

domingo, 1 de novembro de 2009

O tempo passa ? Não passa


O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.



Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo



O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o amor antigo, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu anjo


Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada,
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.

Rasgaste o manto da vida,
E anjo subiste ao céu
Como a flor enlanguecida

Que o vento pô-la caída
E pouco a pouco morreu!

Tu’alma foi um perfume
Erguido ao sólio divino;
Levada ao celeste cume
C’os Anjos oraste ao Nume
Nas harmonias dum hino.

Alheia ao mundo devasso,
Passaste a vida sorrindo;
Derribou-te, ó ave, um braço,
Mas abrindo asas no espaço
Ao céu voaste, anjo lindo.

Esse invólucro mundano
Trocaste por outro véu;
Deste negro pego insano
Não sofreste o menor dano
Que tu’alma era do Céu.

Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.

Machado de Assis

Teu canto



Tu És tão sublime
Qual rosa entre as flores
De odores
Suaves;

Teu canto é sonoro
Que excede ao encanto
Do canto
Das aves.

Eu sinto nest’alma,
Num meigo transporte,
Meu forte
Dulçor;

Se soltas teu canto
Que o peito me abala,
Que fala
De amor.

Se soltas as vozes
Que podem à calma,
Minh’alma
Volver;
Minh’alma se enleva
Num gozo expansivo
De vivo
Prazer.


Donzela, esta vida
Se eu tanto pudera,

Quisera
Te dar;
Se um beijo eu pudesse

Ardente e fugaz
Na face
Pousar.

Machado de Assis

sábado, 24 de outubro de 2009

Porque sou romântico

Como romântico, sou exceção...
Não resisto a uma emoção...
Exponho meus sentimentos...
Por um amor, tudo enfrento,
E isso não lamento...
Creio em esperanças...
Em sonhos risonhos...
Guardo boas lembranças...
Tenho meus sonhos...
O passado é esquecido...
O presente é vivido...
O futuro é o porvir...
Vivo com paciência...
Abomino a violência...
Sonho com uma utopia...
Vivendo cada dia...
Minha espada, de flores é feita...
Portanto... a mais perfeita...
Minha arma é a mais sã...
Só atira balas de hortelã...
Gosto de sentir emoções...
Gostosas sensações...
E de emocionar corações...
Vivendo com romantismo...
Com maldades não cismo...
Quero apenas o amor viver...
Com meu amor conviver...
Tenho necessidade,
De sentir felicidade...

Marcial Salaverry

Meu pranto


Fechei as portas do meu passado
Para que meus sonhos não ficassem lá fora
Meus sentimentos são maiores que minha vontade
E nada posso fazer para controlá-los
Meu corpo ganhou o mundo e não se encontrou
Minha voz esqueceu-se em meus prantos e lamentos
Minha alma perdeu-se de mim no infinito e espalhou-se
Sufoco meu pranto nas canções que me lembram de ti
Sinto tua saudade e choro por meio do silêncio
És o tudo do vazio que tua falta me atormenta
És a minha luz que apagou-se na dor do meu amor
És a essência da minha vida que perdeu-se no infinito
Sempre serás o sonho que apagou e tornou-se frio
Esquecendo lá fora os ventos quentes de Agosto
Que poderiam me agasalhar e acariciar o meu amor
Minhas súplicas são lágrimas de pedras em desespero.
Medrou-se na minha dor me abandonou meu grito sangrou.

Rose Mary Sadalla

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Não te amo mais


Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Clarice Lispector


Obs: Ler de baixo pra cima agora.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fragmentos de uma história de amor...


Deixo escapar uma lágrima atrevida;
não houve como detê-la,
impedi-la de rolar...
Há quanto tempo a segurei
tentando disfarçar...

Hoje pesada, cansada, sofrida,
desaba pela minha face,
revela parte de minha vida
lavando a máscara que me foi disfarce,
mostrando a marca da minha ferida.

E atrás dela, outras e outras...
Encharcam meu rosto, embebem meus lábios...
Tanto tempo contidas,
anos, talvez, embargadas...

Fragmentos de uma história de amor,
interrompida, mas inacabada...
Ainda que pela ausência,
lágrimas, distância e dor, marcada...
Amor assim tão profundo
é para a eternidade...
Tão puro como a verdade...
Não cabe nesse mundo.

Carmen Lúcia

sábado, 10 de outubro de 2009

Uma história de amor que não teve fim


Uma história de amor que não teve fim!
Não sei se foi o teu olhar,

Ou teu jeito inocente,que despertou em mim,

Este sentimento,puro,forte,que faz meu coração bater apressado
,
Que faz minhas mãos trasnpirarem

E o meu corpo tremer

Sim era o AMOR

Que chegava em minha vida!

Chegou e não pediu licença para entrar tomando conta de mim...

A esperança de um dia ter você, me

Corrompia e percebi que isso nunca seria possível,

Caminhos diferentes, idéias diferentes,

Nada igual...

Sentimento forte,intenso,

Único...

Que mesmo com o passar do tempo,

Permaneceu vivo, dentro de mim...

Momentos que estarão sempre

Na minha memória...

Momentos, em que por um instante,

Eu senti que vc era meu!

Eu senti que existia um setimento pequeno,

Mais grande o bastante pra me deixar feliz,

Hoje,sua ausência é constante,

E já não estamos tão ligados,

Como antes...

Destinos entrelaçados...

Caminhos diferentes,

Amor, paixão, amizade...

Magoas...

Confusão de sentimentos,

Misto de emoções sinceras

E de palavras verdadeiras.

sábado, 26 de setembro de 2009

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

De Ti Jamais Esquecerei


De ti jamais esquecerei.

Estou aqui ouvindo musicas que nos trazem recordações.
Desta ficaram em minhas lembranças do tempo em que juntos passamos.

Há amor!

Como era bom estar em teus braços, sentir teus carinhos.

Tuas mãos percorrendo todo meu corpo, depois, nos amando nos tornando um só corpo uma só alma.

Como me faz falta, estes teus carinhos, teus afagos, me desejando cada vez mais e eu a ti.

Amor meu, queria você aqui mais uma vez ,nem que fosse, a ultima vez e sentir-te bem junto de mim outra vez.

Amor pode passar anos deste amor por ti não deixarei de sentir, pois meu coração a ti entregou e meu corpo e minha alma também é todo teu.

Hoje, agora, neste momento, desejaria que meu mundo parasse e pudéssemos voltarmos uns anos atráz.

Ainda estaríamos um nos braços do outro, quem sabe corrigir onde erramos, e poder estar juntos novamente no dia de hoje.

Amor , sinto tanto tua falta,hoje e sempre te amarei.

De ti jamais esquecerei
.

Dalva Stolf


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Estou Te Amando


A sua presença se faz importante em minha vida.
A sua voz é marcante e na ausência de sua pessoa fico a ti querer.
As noites passam com pressa, a tua procura.
E o meu corpo a tua espera
Permanece imóvel
A distância que nos separa é a mesma que me faz te amar.
Já sorri, mas nenhum sorriso foi igual ao que colocas-te em meu rosto.
Percebo que não sou mais a mesma
Algo mudou.
Muitas pessoas tentam entrar em meu coração, na minha vida, mas não deixo, pois esse espaço já é seu.
Simplesmente te quero!
Simplesmente te amo!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Amor e Medo

Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
— "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair cias tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas!...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...
Casimiro de Abreu

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Não Diga o Meu Espelho que Envelheço "Sonetos (22)"



Não diga o meu espelho que envelheço,
se a juventude e tu têm igual data,
mas se os sulcos do tempo em ti conheço
então devo expiar no que me mata.
Tanta beleza te recobre e deu
tais galas a vestir a meu coração,
que vive no teu peito e o teu no meu.
Mais velho do que tu serei então?
Portanto, meu amor, cuida de ti
como eu, não por mim, por ti somente
te cuido o coração, que guardo aqui
como à criança a ama diligente.
Não contes com o teu se o meu morrer.
Deste-me o teu e o não vou devolver.

William Shakespeare

Meus Olhos Vêem Melhor se os Vou Fechando "Sonetos (43)"

Meus olhos vêem melhor se os vou fechando.
Viram coisas de dia e foi em vão,
mas quando durmo, em sonhos te fitando,
são escura luz que luz na escuridão.
Tu cuja sombra faz a sombra clara,
como em forma de sombras assombravas
ledo o claro dia em luz mais rara,
se em sombra a olhos sem visão brilhavas!
Que benção a meus olhos fora feita
vendo-te à viva luz do dia bem,
se a tua sombra em trevas imperfeita
a olhos sem visão no sono vem!
Vejo os dias quais noites não te vendo,
e as noites dias claros sonhos tendo.

William Shakespeare

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Soneto LXXXVIII



Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
William Shakespeare

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Adormecida


Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,-
Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière.
Et qu'elle va la faire en s'éveillant demain.
A. DE MUSSET

UMA NOITE, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos - beijá-la.

Era um quadro celeste!...A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
'Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
'Virgem! - tu és a flor da minha vida!...'